Alzheimer: Perda de neurônios não é suficiente para causar a doença

Alzheimer: Cientistas negam que a doença cause perda de neurônios e sinapses
Outro estudo mostrou que uma inflamação no cérebro pode ser parte essencial do Alzheimer.
[Imagem: Universidade de Southampton]

Alzheimer sem perda de neurônios

Ocorrendo principalmente em idosos, o Alzheimer é considerado pela ciência uma doença neurodegenerativa, o que significa que é acompanhada por uma perda significativa e progressiva de neurônios e suas terminações nervosas, ou sinapses.

Essa visão tradicional e hegemônica na comunidade científica e médica agora está sendo contestada por uma equipe de cientistas da França e do Canadá.

Salah El Mestikawy (Universidade McGill, Canadá) e Stephanie Daumas (Universidade Pierre e Marie Curie, França) acreditam ter demonstrado que, na verdade, a doença de Alzheimer é acompanhada por um declínio mínimo nos marcadores neuronais e sinápticos.

"Para nossa surpresa, ao estudar o destino de oito marcadores neuronais e sinápticos nos córtex pré-frontais dos nossos voluntários, nós observamos apenas perdas neuronais e sinápticas muito pequenas. Nosso estudo sugere, portanto, que, ao contrário do que se acreditava, a perda neuronal e sináptica é relativamente limitada na doença de Alzheimer. Esta é uma mudança radical no pensamento [científico e médico]," explicou El Mestikawy.

Os cientistas também tentaram correlacionar todas essas pequenas perdas sinápticas que detectaram com o nível de demência dos indivíduos. Os resultados mostram que o declínio nos biomarcadores sinápticos tem pouco impacto nas habilidades cognitivas dos participantes, que deve então ser reduzidas por outros fatores ainda não identificados.

Rumo a outras terapias

Se forem confirmados por outros pesquisadores, estes resultados inesperados sugerem implicitamente que a demência estaria associada a uma disfunção sináptica, e não ao desaparecimento de sinapses do córtex do paciente.

Identificar essa disfunção pode levar ao desenvolvimento de tratamentos eficazes para esta doença - até agora, nenhum medicamento para Alzheimer apresentou resultados satisfatórios.

"Até agora, as intervenções terapêuticas têm visado retardar a destruição sináptica. Com base em nosso estudo, teremos que mudar nossa abordagem terapêutica," disse El Mestikawy.

Os resultados foram publicados na revista Nature Scientific Reports.


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