Descoberto um novo órgão no corpo humano: o Interstício

Descoberto um novo órgão no corpo humano: o Interstício
O órgão do corpo humano recém-descoberto, o interstício, aparece aqui abaixo da camada superficial da pele, mas ele está por todo o corpo, inclusive nos órgãos internos.
[Imagem: Jill Gregory/MSHS]

Interstício

Médicos afirmam ter identificado uma característica anteriormente desconhecida da anatomia humana, com implicações para a função de todos os órgãos, da maioria dos tecidos e dos mecanismos atuantes em doenças importantes, como o câncer.

Petros Benias e seus colegas da Universidade de Nova Iorque (EUA) afirmam que essa característica é importante o suficiente para ser definida como um novo órgão: o interstício.

Os médicos e cientistas sabiam há muito tempo sobre o tecido intersticial - entre tecidos - abaixo da superfície da pele, revestindo o trato digestivo, pulmões e sistema urinário e artérias circunvizinhas, veias e a fáscia entre os músculos - mas ele sempre foi definido como uma camada densa, formando um tecido conectivo.

Benias e seus colegas demonstraram agora que esses tecidos estão na verdade interconectados, consistindo em diversos compartimentos cheios de líquido em movimento.

Essa série de espaços, sustentada por uma malha de proteínas de tecido conjuntivo fortes (colágeno) e flexíveis (elastina), pode atuar como absorvedora de choque, impedindo que os tecidos se rasguem conforme órgãos, músculos e vasos se comprimem, bombeiam e pulsam como parte do seu funcionamento normal.

O mais importante, porém, é que essa camada funciona como uma rodovia por onde os fluidos corporais se movimentam.

Isso pode explicar, segundo a equipe, por que o câncer que chega até o interstício se torna muito mais propenso a se espalhar pelo corpo - até agora se acreditava que apenas as células tumorais circulantes no sangue fossem as responsáveis pela metástase do câncer.

Drenando líquidos do sistema linfático, o interstício funciona como uma rede para a distribuição da linfa, o fluido vital para o funcionamento das células imunológicas, que geram inflamação defensiva.

Além disso, as células que residem no interstício, e os feixes de colágeno que o reveste, mudam com a idade, podendo contribuir para o enrugamento da pele, o enrijecimento dos membros e a progressão de doenças fibróticas, escleróticas e inflamatórias.

Há muito se sabe que mais da metade do fluido no corpo humano reside dentro das células, e cerca de um sétimo dentro do coração, vasos sanguíneos, gânglios linfáticos e vasos linfáticos - o restante é intersticial.

Com isso, se a proposta de definir o interstício como um órgão de pleno direito for aceito pela comunidade médica e científica, ele já nascerá como um dos maiores do nosso corpo, com dimensões similares às da pele.


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