Endurecimento das artérias não acontece como cientistas pensavam

Mineralização das artérias

O chamado "endurecimento das artérias", ou mineralização arterial, não ocorre da forma que cientistas e médicos pensavam até agora.

Artérias mineralizadas, uma complicação frequentemente observada em pacientes com doença renal crônica e diabetes, podem afetar as funções cardíacas, em alguns casos levando à morte.

A equipe de Marta Cerruti e Monzur Murshed, da Universidade McGill (Canadá), já havia descoberto que a elastina, o material que dá elasticidade às artérias, para que elas possam se expandir e contrair em resposta ao bombeamento do coração, é um determinante crítico da deposição mineral nos vasos sanguíneos.

Agora eles descartaram que o colágeno, que é essencial para a mineralização normal dos nossos ossos e dentes, seja responsável pela mineralização arterial.

"A primeira parte que mineraliza nas artérias do nosso modelo genético é a parte de elastina, e não o colágeno," destacou Cerruti, observando que isso é muito diferente do que acontece nos ossos e nos dentes e contrário ao saber científico atual quanto às artérias mineralizadas. "Para mim, isso foi realmente surpreendente. A parte que mineraliza nos ossos e nos dentes é o colágeno."

Fosfato de cálcio nas artérias

Para tentar fechar questão sobre o assunto, a equipe usou o maior acelerador de elétrons do Canadá, que produz fontes de luz capazes de rastrear profundamente os materiais. As imagens revelaram a presença de minerais de fosfato de cálcio em estágios iniciais de mineralização nas camadas contendo elastina das artérias de camundongos que apresentavam o quadro de artérias mineralizadas.

A equipe espera que suas descobertas levem à criação de uma terapia para bloquear o acúmulo mineral nas artérias dos pacientes que são propensos a essa condição.

Atualmente não existe nenhum tratamento para a mineralização das artérias, em grande parte por falta de compreensão do mecanismo molecular subjacente.

Uma estratégia eficaz para prevenir a calcificação vascular, dizem os pesquisadores, poderá envolver uma intervenção no estágio em que os minerais de fosfato de cálcio começam a cristalizar. Pode ser possível dissolver seletivamente esses cristais com drogas adequadamente direcionadas - que ainda deverão ser desenvolvidas e testadas.


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