Mistério das cores do vestido ajuda a compreender doenças

Mistério das cores do vestido ajuda a compreender doenças
A pesquisadora reproduziu o vestido que viralizou, mas a visualização depende da luminosidade, da angulação etc.
[Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil]

Mistério da cor do vestido

Há três anos, uma mensagem que circulou na rede social Tumblr mostrava uma foto de um vestido que gerou muita discussão: algumas pessoas viam a roupa como se ela fosse azul e preta, enquanto outras a veem como branca e dourada.

O viral ganhou o nome de #TheDress e entrou na mira da ciência.

A neurocientista Cláudia Feitosa Santana, pesquisadora do Instituto Albert Einstein de São Paulo, foi uma das especialistas surpreendidas pelo fenômeno e que resolveu investigar o que estaria por trás dele.

Ele convidou 52 voluntários, que foram submetidos a uma série de testes. Um deles consistia meramente em dizer os nomes das cores da famosa imagem do vestido, projetada numa tela. Em outro, chamado de equivalência de cores, os participantes misturavam as cores únicas (verde, vermelho, azul, amarelo) num computador até chegarem aos tons que enxergavam no traje. Finalmente, em um teste chamado configurações de branco, os voluntários voltavam a misturar as cores no computador para alcançar o que consideravam ser o branco mais branco possível.

Ao analisar os dados, a neurocientista e seus colegas concluíram que a diversidade de percepção entre os grupos estava parcialmente relacionada ao cone S, receptor da retina responsável pelo processamento de ondas curtas de luz, justamente a faixa do azul. É a partir dessa leitura de luminosidade que a retina do olho envia informações para o cérebro para que as imagens sejam interpretadas. As alterações no cone S estão relacionadas com as diferentes experiências de exposição ao sol desde infância até o início da vida adulta.

"Em lugares mais frios, a luz é mais azulada," explica Cláudia. O cérebro das pessoas que nasceram nessas regiões dá uma espécie de "desconto" na leitura da luz azul e elas tendem a ver o vestido como branco e dourado. Por outro lado, quem nasceu em localidades mais quentes, com luz mais amarelada, geralmente enxerga a vestimenta como azul e preta.

Percepção de cores

Mais do que uma curiosidade das redes sociais, para a neurocientista o caso do vestido pode ajudar a compreender diversas doenças.

"Estudos de percepção de cor ajudam que a gente entenda melhor as influências genéticas e ambientais e, dentro das ambientais, as culturais e as individuais, porque também vão ajudar a estudar olfato, audição," disse Cláudia, acrescentando que o foco principal do trabalho não é o #TheDress em si, "mas como o lugar em que você vive pode influenciar a sua percepção e as suas preferências".

A neurocientista explicou ainda que estudos como este ajudam a entender diversas doenças que afetam a percepção de cores. "Muitas doenças afetam a percepção de cores, como o diabetes, intoxicação por metais pesados, esclerose múltipla, Mal de Parkinson, entre outras. Qualquer doença que afeta o sistema visual também afeta a percepção de cores, então a gente também usa a percepção de cores para tentar entender melhor o desenvolvimento dessas doenças," finalizou.


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