Nanotecnologia viabiliza novo medicamento contra leishmaniose

Nanotecnologia viabiliza novo medicamento contra leishmaniose
Como os nanocarreadores vão se abrindo aos poucos, o medicamento é liberado ao longo de um período, aumentando seu tempo de atuação.
[Imagem: Fernando Real/CNPq]

Nanocarreador

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) patenteou um novo medicamento contra a leishmaniose, doença endêmica no Brasil causada por protozoários e transmitida pela picada de certas espécies de mosquito.

O fármaco usa a nanotecnologia, na forma de nanocarreadores, ou seja, minúsculas partículas ocas que são usadas para transportar o medicamento. Como os nanocarreadores vão se abrindo aos poucos, o medicamento é liberado ao longo de um período, aumentando seu tempo de atuação.

Isso permitiu elaborar um tratamento tópico, menos invasivo e mais eficiente, além de menos dispendioso para o SUS.

No Brasil, o tratamento da doença é feito de forma injetável. O paciente recebe diariamente, por um período de 20 dias, injeções com doses de 10 a 20 mg de glucantime, sendo a aplicação feita diretamente nas feridas.

"O tratamento é extremamente doloroso, além de depender da internação do paciente para a aplicação do medicamento e controle dos efeitos colaterais, que são intensos e podem até levar a óbito. A alternativa que propomos é de um tratamento tópico com pomada ou creme, evitando que o medicamento caia na corrente sanguínea, e com aplicação feita pelo próprio paciente. A simplicidade do tratamento diminuiria o gasto de recursos públicos e evitaria também a evasão do tratamento", explicou a pesquisadora Thais Aragão Horoiwa.

Testes

Os testes de liberação e permeação - penetração do fármaco na pele - realizados até o momento mostram evidências de que o medicamento, indicado para tratamento da leishmaniose cutânea, não tem penetração na corrente sanguínea, evitando efeitos colaterais em órgãos internos, e que sua liberação é sustentada na ferida, crescendo ao longo do tempo, o que possibilitaria uma aplicação única.

A pesquisa já foi patenteada e, atualmente, a formulação inicial do medicamento está passando por testes pré-clínicos no Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Leishmaniose

Leishmaniose é o nome utilizado para identificar um conjunto de doenças infectocontagiosas causadas por protozoários do gênero Leishmania.

Comum em humanos, mas também em animais (especialmente cães), a doença pode se manifestar de diversas formas, sendo que na mais conhecida - chamada tegumentar ou cutânea - o protozoário se instala nos macrófagos (células de defesa) da epiderme e faz com que o paciente desenvolva feridas na pele e mucosas.


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