09/02/2018

Cérebro funciona com música - e gosta de tocar bateria

Redação do Diário da Saúde
Cérebro funciona com música - e gosta de tocar bateria
Os neurônios não "disparam" meramente: eles dão uma acertada no ritmo com uma sequência de tambor e, só então, dão a batida final no prato que sinaliza para o próximo neurônio.[Imagem: National Institute on Aging/National Institutes of Health]

Música no cérebro

Foi uma surpresa quando neurocientistas descobriram que nosso cérebro toca música, alterando completamente a visão que se tinha da atividade neural. Hoje, essa música cerebral já é usada até para prever ataques epilépticos.

Agora esse conhecimento sobre a música cerebral se ampliou.

O que os cientistas acreditavam serem potenciais elétricos caóticos emitidos pelos neurônios - conhecidos genericamente como "disparos" -, está-se revelando uma sinfonia, com os pulsos surpreendentemente ordenados, rítmicos e duradouros.

Com técnicas melhores de análise, daquilo que parecia um zumbido caótico está sendo possível extrair uma sequência de batidas parecidas com tambores, seguidas por picos mais "agudos". São esses ritmos que na verdade estimulam os neurônios vizinhos.

Outra diferença importante, que ajudou nessa descoberta, é que os pesquisadores estudaram animais de laboratório acordados. Experimentos semelhantes têm sido realizados em animais anestesiados, o que altera fortemente a atividade cerebral em comparação com o cérebro acordado.

Percussão no cérebro

A equipe descreve os sons que detectaram nas ondas neurais usando onomatopeias que lembram uma bateria: "Tum, tum, tum.... Bleeiiinnnn! Repete". E a ênfase está no "Repete".

O ribombar, que lembra a sequência de batidas surdas no tambor, resulta de movimentos do potencial elétrico dentro de um neurônio antes que ele dispare, liberando um pico que lembra uma batida no prato da bateria. Os picos são sinais elétricos grandes, que se comunicam com os neurônios vizinhos.

Tudo tomado em conjunto, é a soma dos picos que faz o cérebro completar cada circuito que, no final, resultará em ações motoras, como caminhar ou falar - como já se sabia, o cérebro controla nossos movimentos usando ritmos musicais.

"Esses padrões de sinalização duram muito mais do que pensávamos," contou a professora Annabelle Singer, do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA). "Nós costumávamos pensar que os neurônios disparavam picos para os neurônios vizinhos por alguns milissegundos, e isso seria tudo o que era necessário para fazer o próximo neurônio disparar. Agora, estamos vendo que você obtém esses padrões de repetição de ribombar e picos sustentados durante centenas de milissegundos, mesmo perto de um segundo inteiro."

Isso significa que as sinalizações entre os neurônios cerebrais podem durar o mesmo tempo que o coração levar para completar uma batida completa. O que parecia ser uma nota dissonante - o pico, ou disparo do neurônio - é na verdade uma sequência musical ritmada, composta de várias "notas".

Cérebro funciona com música - e gosta de tocar bateria
Nosso cérebro tem uma afeição toda especial pela música: ouvir música faz o cérebro inteiro se iluminar.
[Imagem: Vinoo Alluri]

O que os neurônios estão fazendo tocando tambor e prato?

Quando um neurônio dispara, o pulso elétrico atinge neurônios vizinhos e influencia as batidas de tambor dos neurônios receptores até que eles também disparem.

"Um neurônio recebe essas entradas rápidas. Existem muitos padrões de tambores diferentes vindos de muitos neurônios diferentes ao redor," explica Singer. "Os padrões que observamos em um neurônio estavam sendo controlados por outros neurônios disparando para ele, como uma seção inteira de tambor em pequenas rajadas."

À primeira vista, isso pode parecer uma cacofonia, mas, conforme os padrões se repetem, percebe-se uma percussão consistente no neurônio.

De posse dos ritmos, agora será possível começar a pesquisar o significado dessa percussão cerebral.

"Estamos começando a ver mais estrutura, estrutura muito complexa naquilo que se pensava ser aleatório," disse Singer. "Há muita atividade que está ocorrendo que é organizada e que também precisamos entender."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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