04/12/2017

Identificadas bactérias capazes de matar larvas do Aedes aegypti

Com informações da Agência Fapesp
Identificadas bactérias capazes de matar larvas do Aedes aegypti
Plantas como a aninga são outra esperança de desenvolvimento de mecanismos naturais contra o Aedes aegypti.[Imagem: Museu Goeldi/Redenamor]

Bactérias contra vírus

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, identificaram seis espécies de bactérias com potencial para serem usadas como biolarvicidas no combate ao mosquito Aedes aegypti - vetor de doenças como dengue, zika, febre amarela e chikungunya.

Tudo começou quando a equipe descobriu que o Aedes encontrado na cidade de Botucatu (SP) é menos suscetível à infecção pelo vírus da dengue do que pernilongos da mesma espécie oriundos das cidades de Neópolis (SE) e Campo Grande (MS) - locais onde a incidência da doença é maior.

Após alimentar os mosquitos em laboratório com sangue contaminado com o sorotipo 4 do vírus, o grupo observou que apenas 30% dos insetos coletados no interior paulista se contaminavam, enquanto o índice ficava entre 70% e 80% nas populações de Sergipe e Mato Grosso do Sul.

Como o pernilongo se alimenta de sangue, a equipe levantou a hipótese de que as bactérias presentes nos intestinos do Aedes de cada local poderiam estar envolvidas nessa diferença à suscetibilidade ao vírus.

Foi justamente o que eles constataram ao realizar o sequenciamento genético em larga escala dessas bactérias - o microbioma presente nos grupos mais e menos suscetíveis é completamente diferente.

"Isolamos cerca de 30 diferentes bactérias encontradas no intestino de mosquitos coletados em Botucatu e as colocamos, uma a uma, em contato com as larvas desses insetos. Observamos em seis espécies bacterianas a capacidade de matar entre 60% e 90% das larvas, dependendo do isolado, em até 48 horas", contou o professor

Biolarvicida

Os testes foram feitos com o vírus da dengue e, a seguir, a equipe pretende repeti-los com o vírus zika.

Segundo o pesquisador, serão necessários novos estudos para caracterizar melhor o potencial larvicida dos microrganismos: avaliar as concentrações necessárias para que a ação ocorra, o período mínimo de exposição e o tempo que as bactérias permanecem ativas, entre outros fatores.

"O estudo ainda está em fase inicial. No futuro, também pretendemos isolar alguns produtos liberados por essas bactérias no meio para entender como ocorre a ação larvicida", explicou Jayme.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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