02/05/2018

Pessoas do tipo sabe-tudo sabem menos do que acreditam

Redação do Diário da Saúde
Pessoas do tipo sabe-tudo sabem menos do que acreditam
As pessoas com superioridade de crença consistentemente superestimam seu próprio conhecimento. [Imagem: Ilma Bilic/Umich]

Ilusão do sabe-tudo

As pessoas que pensam que seus conhecimentos são superiores aos dos outros são especialmente propensas a superestimar o que realmente sabem.

"Enquanto os participantes mais humildes [quanto aos próprios conhecimentos] algumas vezes até subestimavam seus conhecimentos, os que se acreditavam superiores tendiam a pensar que sabiam muito mais do que realmente sabiam," afirmam Michael Hall e Kaitlin Raimi, da Universidade de Michigan (EUA), em um artigo publicado no Journal of Experimental Social Psychology.

Mesmo depois de receber feedback mostrando que eles não conheciam fatos políticos relevantes, essas pessoas tipo sabe-tudo continuaram afirmando que suas crenças eram objetivamente mais corretas do que as de todos os outros.

Além disso, elas se mostraram mais propensas a procurar novas informações de maneira preconceituosa - de um modo que apenas confirmava suas crenças e seu senso de superioridade.

Superioridade de crença

Os dois pesquisadores se concentraram em pessoas que professam o que eles chamam de "superioridade de crença" - acreditar que suas visões são superiores a outros pontos de vista - no que se refere a questões políticas.

Mas os pesquisadores observam que as pessoas também reivindicam superioridade de crença em uma variedade de outros domínios além da política, como o ambiente, religião, conflitos de relacionamento e até mesmo tópicos relativamente triviais, como a etiqueta e as preferências pessoais.

Foram feitos vários experimentos para tentar responder a duas questões-chave sobre a superioridade das crenças políticas: As pessoas que pensam que suas crenças são superiores têm realmente mais conhecimento sobre as questões sobre as quais se sentem superiores? E as pessoas que se acham superiores usam estratégias superiores quando procuram novos conhecimentos?

Ao longo de seis experimentos, que incluíram vários tópicos políticos, os voluntários que se acreditavam mais sabidos do que os demais demonstraram sistematicamente que acreditavam saber muito sobre esses tópicos. No entanto, ao comparar esse conhecimento percebido com o quanto essas pessoas realmente sabiam, o que se viu foi que as pessoas com superioridade de crença estavam consistentemente superestimando seu próprio conhecimento.

Para a segunda questão, os pesquisadores apresentaram aos participantes artigos de notícias sobre um tema político e pediram que selecionassem quais deles gostariam de ler. Metade dos artigos apoiava o ponto de vista dos participantes, enquanto a outra metade contestava sua posição.

As pessoas que se acreditavam superiores em conhecimento mostraram-se significativamente mais propensas do que seus pares mais modestos a escolher informações que sustentavam suas crenças. Curiosamente, elas se mostraram cientes de que estavam buscando informações tendenciosas: Quando os pesquisadores perguntaram que tipo de artigos haviam escolhido, elas prontamente admitiram sua parcialidade. Ou seja, essas pessoas estavam perdendo oportunidades para melhorar de fato seus conhecimentos.

Evitando o contraditório

A questão que se coloca é: Por que as pessoas parecem evitar pontos de vista diferentes dos seus? Os pesquisadores sugerem que, embora algumas pessoas insistam que estão sempre certas, mesmo que não cheguemos a esse tipo de radicalismo todos nós nos sentimos bem quando as crenças que consideramos importantes são confirmadas.

Em outras palavras, quando mantemos fortemente uma crença ligada a uma identidade ou valores, ou que é mantida com um senso de convicção moral, somos mais propensos a nos distanciarmos da informação e das pessoas que contestam essa crença.

"Ter suas crenças validadas é bom, enquanto ter suas crenças contestadas cria desconforto, e esse desconforto geralmente aumenta quando suas crenças são fortemente mantidas e importantes para você," disse Raimi.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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