08/09/2017

Vírus zika está sofrendo mutações e é transmitido por meses pelo pai

Com informações da Agência Fapesp

Tipos de zika

O vírus zika está se modificando tão rapidamente em pacientes brasileiros que há risco de surgir, num futuro breve, sorotipos diferentes do patógeno, como já acontece no caso da dengue.

Se isso acontecer de fato, poderá dificultar a obtenção de uma vacina, bem como comprometer a eficácia dos testes para diagnóstico já desenvolvidos.

O alerta foi feito pelo professor da USP (Universidade de São Paulo) Edison Luiz Durigon.

"Hoje existe apenas um único zika e, uma vez infectada, a pessoa se torna imune. Mas o vírus está em franca mutação e não seria surpresa se em breve surgirem o zika 2, 3, 4...", disse Durigon.

Vírus transmitido pelo pai

A afirmação do pesquisador está baseada na análise de dados de três pacientes assintomáticos - dois homens e uma mulher - que foram acompanhados de perto durante meses pela equipe da USP. Semanalmente, os pesquisadores colhiam amostras de sangue, saliva, urina e, no caso dos homens, esperma. O material era enviado para os Estados Unidos onde, por meio de uma parceria com o exército norte-americano, o genoma completo do patógeno era sequenciado.

"Semana a semana, nós comparávamos o que havia de diferente no genoma viral. Chegamos a ver no mesmo paciente cepas compartimentadas, ou seja, o vírus presente no sêmen era diferente do que havia na urina. Em todos os casos, o patógeno que encontramos no estágio final da infecção não era o mesmo que entrou no paciente", contou Durigon.

Segundo o pesquisador, os pacientes do sexo masculino permaneceram eliminando o zika em grandes quantidades pelo esperma por até seis meses. Um deles apresentou o vírus na saliva durante três meses.

"O zika continuou se replicando nas células do testículo durante todo esse tempo e, por microscopia eletrônica, pudemos perceber que os espermatozoides já se formavam infectados. Há risco, portanto, de ocorrer uma concepção com esperma contaminado. Se a gravidez vai para frente nesses casos e quais as consequências para o feto é algo que não temos ideia," comentou Durigon.

A possibilidade de transmissão sexual, segundo o pesquisador, amplia fortemente a capacidade do vírus de se disseminar. Na avaliação de Durigon, é preciso urgentemente mudar a cultura médica, que ainda centra os cuidados pré-natais nas mulheres.

"Não adianta testar apenas as gestantes para a presença do vírus, recomendar apenas às mulheres que usem repelente e evitem áreas de risco durante a gestação e deixar os homens à vontade, seguindo a vida normalmente. Elas podem ser contaminadas pelos próprios parceiros e isso é algo que os médicos ainda não estão atentos", alertou.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

URL:  

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2016 www.diariodasaude.com.br. Cópia para uso pessoal. Reprodução proibida.